O terrorismo nutricional precisa sair de moda

Cortar grupos alimentares inteiros sem necessidade não ajuda a emagrecer.

Publicado em 10/09/2018

Foto: Freepik

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Acordar, fazer um café fresquinho, cortar o pão ao meio, passar uma camada de manteiga e se deliciar com sua primeira refeição. Sim, existiu um tempo em que começar o dia assim não era visto como ou uma ameaça à saúde, mas algo normal e prazeroso.

Nossas avós, por exemplo, não cogitavam substituir o leite por suco verde, nem o bolo caseiro por uma crepioca. Havia menos informação sobre alimentação, é fato. Mas também havia menos opções industrializadas, enquanto o acesso aos alimentos in natura era maior.Nossas avós comiam comida caseira.

Com o passar do tempo, aumentou a oferta de ultraprocessados e também de informação. E é irônico notar que foi justamente essa abundância que levou as pessoas a se perderem. Saber o que colocar no prato virou um desafio, uma grande preocupação.

Açúcar é veneno? Gordura entope as veias? Glúten inflama o corpo? Frutose engorda? Lactose faz mal à saúde? Essas palavras, que sequer faziam parte do vocabulário das nossas avós, passaram a povoar nossos pensamentos. Diante de toda essa abundância, o que comer, afinal? Esse é o dilema do homem moderno.

NÃO É POSSÍVEL ATRIBUIR A UM ÚNICO TIPO DE COMIDA OU GRUPO ALIMENTAR A ‘CULPA’ POR ENGORDAR”

O que comer?

Em 2014, usei pela primeira vez o termo “terrorismo nutricional” em uma entrevista. Foi um estouro. Comecei a receber diversos depoimentos de pessoas infelizes com a própria alimentação, confusas e insatisfeitas com o corpo, cansadas de entrar e sair de dietas sem ver resultado.

E essa sensação de fracasso vem justamente dessa classificação dos alimentos entre “bons” e “ruins”, que leva as pessoas a acreditarem que algumas coisas engordam, outras emagrecem. Isso aumenta a ansiedade em torno da comida e também a culpa ao comer.

Simplificar os alimentos dessa forma não faz sentido algum. Nenhum alimento, sozinho, tem poder de emagrecer as pessoas ou curar doenças. Assim como não é possível atribuir a um único tipo de comida ou grupo alimentar a “culpa” por engordar as pessoas.

Não é culpa do pão francês, do chocolate, ou da batata frita que estamos ficando cada vez mais obesos. Mas, sim, do excesso de informações sensacionalistas a respeito de nutrição, o que faz com que estejamos perdidos e que as indústrias alimentícias e de dietas lucrem cada vez mais, vendendo os produtos “milagrosos” da vez.

Onde nasce a confusão?

O pesquisador australiano Gyorgy Scrinis inventou a palavra “nutricionismo” para representar esse excesso de ciência – e, muitas vezes, pseudociência – que reduz os alimentos a nutrientes. Falar em carboidrato para se referir ao macarrão e em gordura boa para falar do abacate passou a ser algo corriqueiro.

As restrições e alergias existem, claro, bem como condições de saúde que exigem uma dieta mais restrita. Mas são casos mais raros. Cortar grupos alimentares inteiros sem necessidade não ajuda a emagrecer. Só aumenta o estresse.

O segredo é se permitir comer de tudo, de forma moderada. O terrorismo nutricional está nos engordando. No entanto, cabe a nós mesmos resgatarmos o prazer de comer sem culpa pelo bem da nossa saúde física e mental.

SOPHIE DERAM é nutricionista franco-brasileira e doutora pela Faculdade de Medicina da USP e autora do livro O Peso das Dietas.

 

Fonte: Azul Magazine Digital

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